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sábado, 19 de março de 2011

Multiplicação do amor interestadual

Foto inspiração... Carnarroots 2011
Foto: Dhani Lyrio.
É impressão minha ou o amor está no ar?!?!

Tenho notado que a cada roots aumenta o número de enamorados interestaduais. São casais formados de combinações variadíssimas e até inusitadas: baianos, mineiros, capixabas, paulistas, cariocas, brasilienses, paranaenses, goianos etc., todos enfrentando uma ponte aereazinha em nome do amor. Ahhh, que lindo!!!!!

Mas também, quer um lugar onde exista mais sentimento que um forró? Podemos dizer que o forró é um aglomerado de almas dispostas. O forrozeiro está disposto a receber o que lhe for oferecido e retribuir na mesma medida. Quanto mais carinho se der, mais carinho receberá.

Há quem diga que é impossível manter um relacionamento à distância. Quando bate aquela vontade de um abraço, um beijo, de sentir o calor da pele que está a quilômetros de distância... Doído! Há quem diga que, com a globalização, não exista mais a concepção de distância, seríamos uma aldeia global, segundo teóricos da Comunicação. Há quem diga que as formas de se relacionar estão mudando, que as pessoas fogem de relacionamentos tradicionais, ou que estão fugindo de compromissos e da prática de ceder comum em relacionamentos próximos. Não há uma única verdade nessa situação; se é que uma verdade existe.

Acredito que o amor seja uma escolha. Você se dispõe a aceitar uma pessoa ao seu lado e toda a bagagem que ela traz: qualidades, defeitos, familiares, manias, concepções, amigos, ideiais... E, como podemos ver, diversas pessoas no forró estão dispostas a tentar. Isso é maravilhoso!

O sentimento que está no forró dá o impulso à essas paixões que surgem ao som de um xote, no meio de um papo despretensioso, ou até de um forró muito rápido mas que encaixe perfeitamente em ambos. A partir daí, é cada um que deve fazer por onde dar certo. As companhias aéreas estão fazendo sua parte com promoções todos os meses, a internet possibilita horas de conversas com imagem, o celular traz promoções para quem gosta de uma voz mais nítida, os roots estão se multiplicando e fortalecendo-se criando viagens inesquecíveis à dois... Porém, o fato é que à medida que os relacionamentos vão se enraizando vai chegando o momento de mais uma escolha. Além de escolher amar alguém, agora se faz necessário escolher para onde esse casal vai. Pra qual estado? Pra qual cidade? A minha ou a sua? Ou uma diferente?

Acredito que essa seja a decisão mais difícil. É necessário um consenso. No entanto, vamos celebrar o agora. Esse sentimento lindo que eu vejo brotar em vários coraçõezinhos forrozeiros dispostos a sonhar - e realizar!

Como diria o querido Dió: "Lindo, lindo, lindo"...

segunda-feira, 7 de março de 2011

Opinião

Em uma conversa de ônibus, meu amigo, Anderson Rodrigues, ou DJ Tel, me contou que estava com dificuldades nas aulas de redação da faculdade. Sua professora, uma sábia, começou a perguntá-lo sobre as coisas que ele gostava. Ele fez uma pequena lista e, mais uma vez mostrando uma grande sabedoria (rsrsrs), ela se ateve á questão do forró.

A partir disso, pedi ao Tel o texto que ele fez para os estudos e hoje o posto como uma opinião sobre o nosso querido forró!

Quem tiver alguma opinião, algum texto ou sugestão e não quer criar um blog pode mandar o material para mim que postarei com os devidos créditos e aplausos!


O Forró

Tel e Mestrinho no Camping Roots 2008.
Foto: Arquivo pessoal.
Por DJ Tel (Anderson Rodrigues)


Muitos, quando ouvem um acorde da sanfona, o pulsar do zabumba ou o tilintar do triângulo, falam que não gostam do Forró porque não sabem dançar. É essa a primeira desculpa que vêm em suas mentes. Mas o Forró é um ritmo genuinamente brasileiro, é nosso!

Gosto do Forró porque ele aproxima as pessoas. Gosto da dança, gosto das amizades que conquistei através do Forró. Ele traduz um pouco do sofrimento do povo nordestino, como as dificuldades na época da seca, da felicidade em dias de chuva, fala de devoção e dos amores e paixões.

Em resumo é isso: Forró é um estilo de vida. Uma dimensão onde a realidade flutua em meus ouvidos e meus pensamentos guiam o meu corpo e alma*.


* Citação extraída do texto “Guerra ao forró”, de autor não identificado, postado no blog Forró Pé-de-Serra DF (http://forropedeserradf.blogspot.com/2010/06/uma-linda-historia-de-amor-pelo-forro.html).

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Forró do Assalto

Para começar o ano bem, fui no dia 8 de janeiro aos shows dos trios Candiêiro (RJ) e Bastião (SP), no Lapa Multshow (BH).

Dizem que o forró é um hobby para quem não tem muita grana, geralmente os universitários, mas nesse dia até mesmo os que não precisam se preocupar com isso foram surpreendidos com o valor de R$ 30 (inteira) do ingresso!

Extra! Extra! Assalto em BH nos pegou desprevenidas! rsrs
Foto: Cristina Medeiros
Como esqueci a minha linda carteirinha de estudante na casa da minha irmã, Tania Mara, tive que bancar os R$ 30! Na verdade, R$ 25 porque comprei de um moço lá fora... Entrei, curti! Mas é verdade que tinha até cambista lá na porta... e também muita gente que desistiu de entrar!

No entanto, vocês nem precisam pensar que estou dizendo isso porque não gosto de pagar. Minha reflexão é com base em dois pensamentos:

1º Será que o preço sofreu um aumento tão grande por influência dos músicos, já que um dos trios é o atual vencedor do FENFIT (nesse ponto entram outros aspectos que têm sido comentados no circuito, mas que aqui não vêm ao caso; e não fui ao Lapa no outro fim de semana para saber se era o mesmo preço)?

2º Será que o aumento é iniciativa dos produtores?

Todos precisamos ganhar dinheiro, isso é fato! Mas é lamentável quando alguns ganham grana em excesso e os verdadeiros animadores da noite, os músicos, saem com os bolsos cheios... de espaço vazio! Por outro lado, também é lamentável quando, no forró, as pessoas pecam por excesso, enquanto o que nos fez nos apaixonarmos pelo movimento é justamente a simplicidade.

Quero deixar claro que eu não estou julgando ninguém: ESTOU APENAS FAZENDO UM LEVANTAMENTO DE HIPÓTESES DO POR QUÊ DO AUMENTO SURPRESA DE PREÇO. São apenas ideias que todos nós sabemos que são possíveis explicações para o acontecido. Espero que seja um aumento justo.

Gosto muito dos shows no Lapa, dos trios que particparam e, que fique claro: é uma crítica construtiva, para melhorar nosso pé de serra. Mais uma: montem um palco mais baixinho, mais aconchegante nos dias de forró! rsrsrs

♪♫ Eu não sei quem é bom/Eu não sei quem é mau ♫♪, mas que o Forró do Assalto assustou quem esteve no Lapa no dia 8... aaaahhhhh assustou!!!!!

sábado, 18 de setembro de 2010

Não tem como fugir do forró

Dizem que quando algo está no caminho da gente, não tem como fugir. Sexta-feira, 17 de setembro, foi um dia que se encaixaria muito bem neste dito.

Como tenho feito neste ano, saí de casa à tarde e fui para a pós-graduação. Recebi alguns convites para ir ao show do Trio Dona Zefa (que eu amo), no Forró do Trevo, em BH, porém eu não seria ninguém na minha aula de sábado, devido ao sono. Recusei todos.

Tenho o hábito de ligar para minha amiga que me dá abrigo em Beagá às sextas para confirmar se ela está em casa e avisar que estou chegando. Mas... nessa (quase) fatídica sexta só consegui falar com ela dez minutos antes de sair da aula. Ela disse rapidamente que estava me esperando.

Peguei o busão, fui pra casa dela e dei um toque no celular pra ela abrir o portão. Nada. Liguei mais vezes. Nada. Bati no portão. Nada. Chamei. Nada. Desesperei. Nada ainda, meu Deus! Como é desesperador estar em um lugar que você não tem domínio, e sozinha.

Antes do desespero, fui chamada mais duas vezes pra ir ao forró (ser solicitada dessa forma é muito raro em minha vida!). Recusei. Mal sabia eu que a situação ficaria mais crítica!

Eis que aparece uma doninha doidinha, vizinha da minha amiga e começa a falar um monte de coisas... Então, às 23h45, eu peguei o primeiro ônibus que passou, para minha sorte ele ia para o centro de BH. Liguei para a última pessoa amiga que havia me chamado, contei a história e pedi que me resgatasse na rodoviária - lugar mais seguro pra uma mulher sozinha na região da Afonso Pena!

Acho que fiz esta mesma
cara quando cheguei ao
show do Dona Zefa... (2006)
Enfim, fui para o forró com roupa de quem não sabe o que é e com cara de quem não sabe onde está mas com a felicidade de quem acabou entrar no próprio lar!

O perrengue foi bem maior porque aqui eu resumi, afinal encher vocês não é o objetivo e alguns detalhes comprometeriam os envolvidos que nem ao menos foram citados pelos nomes (kkkkk). Essa noite foi pra provar que se Deus te dá a chance, vá ao forró. E o desespero passa!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A OMB no forró pé de serra

Trio de forró na Feirinha de Pajuçara, em Maceió-AL.
Fonte: Overmundo.
Infelizmente não sou musicista, mas tenho acompanhado um pouco a discussão sobre o possível fim da OMB - Ordem dos Músicos do Brasil. Pensei um pouco e tentei colocar o assunto na ótica dos músicos que tocam nosso querido forrozinho!

Um tocador de forró não faz tantos shows como uma dupla sertaneja ou um cantor de axé, por exemplo, e muito menos ganha como estes. Aliás, sem generalização e nada contra aos contratantes e produtores de forró, mas se tem alguém que recebe pouco por show é músico de forró pé de serra; os valores que tive conhecimento são absurdamente baixos e dão mal para cobrir as despesas de transporte.

Mas... voltando ao principal... Imaginem, você pagar um valor para uma entidade de classe que não faz valer os direitos de seus cooperados? É meio demais, né? Alguns casos que já me contaram rezam que nem para entrar em casas de show gratuitamente a carteira da OMB está servindo. Se um músico tenta valorizar seu trabalho aumentando o preço do cachê e justificando o custo pela afiliação à OMB, tem do outro lado aquele que cobra bem baratinho só para não ficar sem tocar.

São muitos os problemas relacionados à OMB e só os músicos para discutirem o assunto com autoridade. Quem se manifestar, ajudará a fomentar essa discussão e, ainda melhor, aprimorar a carreira dessas pessoas cheias de sentimento que animam as nossas madrugadas pelos forrós do país!

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Projeto que caminha aos poucos

Amigos,

há muito tempo venho tentando fazer este blog caminhar... Devido à falta de tempo e, às vezes, de inspiração, fui criando vários posts desde agosto de 2008 e os deixando como rascunhos por considerá-los inacabados.

Com isso, tenho um grande material de quase dois anos e não vou deixar de postá-lo. Decidi que vou fazer isso preservando as datas em que os iniciei e, farei máximo esforço possível para levá-lo à frente, pelo bem do forró e pelo meu bem também!

Espero poder contar com a participação de todos vocês!

Brigadinha e inté!
Bijins

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lá se vai meu ídolo...

Problemas no som antes de um apagão no
Roots In Rio 2005. Foto: Simone Souza.

Um dos primeiros shows que vi em Itáunas, nas primeiras idas, foi o de um artista chamado Mestre Zinho (* 03/01/1947 / + 31/01/2010). Interessante ressaltar que já havia o visto em outro show, no Roots in Rio 2005; um show com direito a apagão e continuação mesmo sem a aparelhagem de som ligada.

De início eu pensei "como alguém pode ser tão pretensioso ao se intitular mestre", mas eu ainda não o conhecia. Depois fiquei sabendo que esse título não foi dado por ele mesmo. E o melhor é que Zinho era realmente um mestre.

Poucas vezes tive um ídolo que me fizesse caminhar por tantos lugares quanto ele. Foi por causa dele (entre outras coisas que movem um forrozeiro) que passei a ir em diversos roots e shows em BH - já que na minha cidade os forrós são raros.

Voltando ao show... era o meu primeiro FENFIT - Festival Nacional de Forró de Itaúnas (ES) e tudo era novidade. Queria conhecer tudo e viver todos os momentos possíveis e imagináveis daqueles lindos 10 dias de sol, chuva, mar, rio, amigos, colegas e forró! Foi uma edição memorável, pois ali foi criado o Trio dos Sonhos: Zinho, Dió e Dominguinhos em um mesmo palco. - e, amigos, eu estava presente nas duas vezes em que isso aconteceu na nossa linda capital do pé de serra. Mas eu ainda não conhecia o tal Zinho.

Zinho olha enquanto a galera de BH,
no Roots In Rio 2005, canta
"Forró do Apagão" durante uma
queda de energia.
Foto: Simone Souza.
Confesso vergonhosamente que não me lembro de praticamente nada do show que o Zinho fez. Eu estava tão preocupada em dançar que não vi todos os shows, mas me lembro de ouvir várias vezes, bem de lá do fundinho do Bar Forró, uma frase que ouviria sempre, mais ou menos assim: "horrôi moreeeena"!

Era um sotaque lindo, bem carregado e uma voz cheia de energia, mas só em BH que eu iria ver realmente o que era toda aquela luz presente no palco. Em Itaúnas cheguei a tirar uma foto com o meu então futuro ídolo, mas ficou só nisso, uma foto, tão inocente, tirada em uma câmera analógica, uma relíquia, uma joia; meus olhos tinham muita novidade para desvendar e então me dispersei totalmente - nem queiram saber quais significados estão por trás desta expressão.

Quando vi mais um show em BH, me apaixonei por aquele Erivan Alves de Almeida que fazia todo mundo dançar. Passei a ir em todos que pude, avaliei eventos como bons ou ruins de acordo com a presença do Zinho... Dentre as lembranças que possuo na mente, me recordo do beijo duplo que ganhei dele e seu cumpadre Dió no FENFIT de 2007, e do casamento lindo com Margot na capelinha de Itaúnas no fim de 2008.

Infelizmente, como diria a minha mãe, as pessoas não ficam para semente. Zinho sofreu com diversas doenças e ainda assim não deixou os palcos, emocionando os forrozeiros como aconteceu no Camping Roots, outro evento que teve sua história mudada pela sua presença. Só agora que não poderemos mais ver as suas lições de superação, mas as guardarei comigo.

Casamento na capelinha de Itaúnas em 30/12/2008.
Foto: Simone Souza.

Ao contrário do que muitos pensam, eu acredito que foi bom o mestre ter ido fazer parte de um trio que o velho Lua está liderando lá no céu. Acredito que ele deixou de sofrer e não teve a dor de continuar vivo e ter de abrir mão dos palcos e do seu público. Como qualquer pessoa que passa pelo mundo, ele foi julgado e muitas vezes condenado, não estou aqui para julgar o que ele foi, mas só quem o conheceu sabe o que ele representou e como será símbolo do forró para sempre.

Vá em paz, Zinho...
Sinto-me órfã...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Levando o forró para o meio acadêmico

Enfim me formei em Comunicação (Habilitação em Publicidade e Propaganda) pelo Centro Mineiro de Ensino Superior - Faculdades Promove. Quem já fez faculdade sabe como é sofrido... E muito mais sofrido ainda é fazer o TCC! Como isso dá trabalho!

Fotografia: Divulgação.
Trabalho gráfico: Simone Souza.
Meu sábio professor orientador, Rodrigo Sales, me disse, no período de preparação do tema, que eu deveria fazer o meu trabalho usando como base algo que eu gostasse muito. Então levei o que ele disse a sério e dei um jeitinho de acrescentar o forró em meu TCC e ainda convenci a minha dupla, Francyelle, de que a ideia era ótima. Eu estava certa!

Decidi fazer um comparativo da divulgação de bandas e artistas na época do nosso Rei do Baião, Luiz Gonzaga, e agora, oferecendo algumas alternativas para solucionar os problemas de comunicação de baixo custo através dos meios digitais. Para isso, utilizei também o trabalho musical dos meus amigos do Trio Lampião, forrozeiros de BH que levam com muito orgulho o legado do pé de serra pelo país.

O nome ficou assim: De Luiz Gonzaga a Trio Lampião - A divulgação de artistas através das novas tecnologias na era das Bandas 2.0. Quem quiser conhecê-lo pode acessá-lo pelo meu 4Shared: http://www.4shared.com/dir/KYI3O8Vj/TCC_Comunicao_-_Simone_Apareci.html.

Foi assim: no meu primeiro trabalho de faculdade eu inclui o forró. No último também!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Entendeu agora?

Há algum tempo, recebi do meu irmão Gleisim esse texto, que já havia sido encaminhado para vários forrozeiros. Não sabemos qual é a sua autoria mas sabemos que ele descreve perfeitamente o sentimento de quem realmente vive um amor intenso ao Forró Pé de Serra. Então revisei um pouco de ortografia (isso foi feito antes da reforma ortográfica), acrescentei ou subtraí algumas coisas e coloquei no perfil do meu Orkut. Como o sucesso foi enorme e várias pessoas já me pediram permissão para copiá-lo, resolvi postá-lo pra ver se os que estão de fora enfim entendem o que é ser FORROZEIRO (leia-se também vaqueiro, fuleiro, roots, etc.)!!!!!



ღ♥ No dicionário não existe a palavra FORROZEIRO, mas está aí o significado:

Invento para descrever aquele que gosta de forró, que freqüenta, que dança, seja bem ou mal, mas está presente pelo menos uma vez por semana.

Só quem é forrozeiro sabe o real significado desta palavra. É como se fosse uma raça...

Os outros dizem: Olhem lá, são forrozeiros! E ficam falando daquele grupo de pessoas que só pensa em se vestir de maneira que fique à vontade pra dançar. Nos pés, somente calçados que dêem conforto, e se não der... (haaaaa), é só tirar e dançar descalço mesmo. As bolhas e os calos que virão depois nem incomodam!

Os amigos dos forrozeiros não entendem, “mas como assim você vai para o forró de novo? Você só vai para o forró? Não acredito, mas você já foi semana passada e na anterior também”! E você diz: “Então, já faz muito tempo que não vou, fui só na semana passada, olha que tempão. Esperei até hoje pra ir de novo”!

Seus pais e seus irmãos nem acreditam que você vai para o forró outra vez, daí você começa a dizer que vai pra outra festa, mas a sua roupa não engana... Eles sabem!

Seus amigos te chamam pra ir ao teatro, cinema, barzinho... Você vai, mas avisa para seus amigos do forró pra te esperarem, pois você vai chegar mais tarde... Você leva outra roupa troca no banheiro, dentro do carro, ou sei lá... Em qualquer lugar, mas não deixa de ir!

Enfim, no final das contas, no melhor da noite, você sempre acaba dentro de um forró! Não se sabe dizer se é vício, mas sabe-se que é bom d+.

Se você está cansada(o), pensando em não ir, mas daí alguém te liga, você logo se anima... Arruma-se e vai! Vai até sozinha(o), quando seus amigos não querem ir, porque sabe que sempre vai encontrar alguém conhecido.

Lá, você esquece dos problemas, do trabalho, dos estudos, enfim do mundo... E a única coisa que você quer é ouvir e dançar um forró! ღ♥

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Que show é esse!!?!!

Foto: Simone Souza.
Nos dias 1 e 2 de novembro aconteceu o 6º Forró da Melancia, um forró já tradicional em BH que reúne forrozeiros de toda Minas Gerais e alguns de outros lugares do país. Foram vários shows excelentes, com muita animação e vontade de fazer crescer o movimento pé de serra. Mas, eu preciso me manifestar com relação a um deles: Os 3 do Nordeste.

Meu début de um show tão maravilhoso aconteceu no último momento do último dia do evento. Nunca havia visto Os 3 do Nordeste ao vivo. Acredito que pelo trio permanecer na sua terra de origem, Campina Grande-PB, seja mais complicada a contratação de shows para o Sudeste, mas isso não vem ao caso. Voltemos ao que interessa.

Os 3 do Nordeste no palco do Lapa Multshow.
Foto: Simone Souza.
Tudo que acontece com a gente pela primeira vez costuma ser inesquecível, e assim foi. Eu estava com muita expectativa, afinal sempre pesquisei sobre o trabalho do trio: músicas, imagens, shows, vídeos... Tudo que estivesse disponível na internet sobre Os 3 do Nordeste virava - e ainda vira - objeto de estudo. A grande parte das músicas que estão no meu celular é deles, de vários períodos, quase sempre marcados pela saída e entrada de músicos (sabemos que o Parafuso é o único membro fundador).

O trio entrou no palco já na madrugada de domingo para segunda-feira. A maior parte do público já havia ido embora, uma pena para o trio e um azar para quem não pode ficar. Já na primeira música pude confirmar minha admiração e constatar também como a escolha de músicos é bem feita: independentemente de quem sobe ao palco, é grande a semelhança do ao vivo com as gravações dos LPs, isso quanto à vibração, à força dos instrumentos e das vozes, à cadência etc.

Deda desce do palco e vai para o meio dos vaqueiros de
plantão. Foto: Simone Souza.
Uma surpresa agradável foi a participação de Edra Veras, filha de Parafuso, e seu trio Os 3 de Campina, que em julho participou, em Itaúnas-ES, do VIII FENFIT, ficando entre os 12 selecionados para participar do CD do evento.

Se não bastasse a qualidade e a emoção de ter ídolos vivos (erradamente deixamos para homenagear as pessoas depois que elas se vão), pude ver se manifestar a satisfação pelo reconhecimento quando Deda, triângulo e voz, desceu do palco super alto do Lapa Multshow e cantou lado a lado das poucas pessoas que abriram mão de uma noite de sono antes do trabalho para ver de perto e ouvir músicas que fizeram com que boa parte dos forrozeiros estivessem pelos forrós espalhados em todo Brasil.

Deda e eu: nem cantando
deixou de atender aos tietes
com câmeras a postos.
Foto: Gleison Rodrigues.
Como boa tiete que sou, comprei CD e um lindo livreto de Literatura de Cordel contando a história do trio. Em 2005 foram comemorados os 35 anos de estrada com um CD e um DVD.

É uma pena que sejam poucas as vezes que o trio se apresenta no Sudeste. Se eu não estou enganada, Os 3 do Nordeste havia tocado em Belo Horizonte pela última vez no ano de 2004. O bom é pensar que shows como esse são raridades... E que eu estive lá para ver tudo isso!


Baixe a música "Os 3 do Nordeste cantam a sua história": http://www.4shared.com/audio/aQOB60Dj/28_Cantam_sua_histria.html.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Algo para amar

Não sei se vocês já repararam em algo que está sempre nas nossas cabeças, um certo desejo de encontrar aquilo que nos faz felizes e realizados. Várias pessoas passam boa parte da vida buscando isso. Algumas encontram, outras não, outras nem percebem quando encontram. Pensando nisso, lembrei-me de um episódio de 2.006 que acho um interessante exemplo disso.

Eu estava indo ao encontro de um ex-namorado quando encontrei no ônibus uma amiga muito querida, a Carolzinha. Lembro-me que na época ela estava em processo de adaptação; havia mudado de nossa cidade para a capital mineira. Eu havia acabado de entrar na faculdade de Comunicação.

Entre muitos assuntos, já que o trajeto do nosso bairro até o centro é longo, falamos sobre trabalho, carreira e como ia a vida... o que estávamos fazendo agora que não estávamos sempre juntas.

As pessoas que me conhecem com mais proximidade sabem o quanto sou entregue ao forró (leia e compreenda; eu não estou, EU SOU), então comecei a relatar as minhas peripécias. Como de costume, quando falo sobre algo que me interessa, vou falando, falando, falando... Mas contei também as críticas que recebo por ser tão apaixonada. Aí minha amiga me disse algo o que eu não havia ouvido de ninguém mas que ficou marcado na minha memória: "mas é bom porque você encontrou algo que ama de verdade".

E não é que ela tem razão! É tão difícil se compreender, entender o que você sente e transformar isso em uma busca. Eu tenho um amor verdadeiro por algo, pelo forró, pelo pé-de-serra. Nele faço amigos, irmãos e inimigos, como em qualquer outro ambiente, mas existe algo que me faz sempre voltar. Pode ser uma relação de dependência, de satisfação, de interesse... Não sei qual relação é, mas posso afirmar que o forró e todas as outras coisas que ele me traz me fazem muito feliz!

Sou eternamente grata por todos os lugares que conheci, todas as depressões iniciadas e/ou curadas, todos os amigos que fiz (principalmente aqueles que permanecem), todo o oceano de cultura navegado - e à navegar - e todos os talentos maravilhosos, pessoas que tem o dom de emocionar e cativar através da música!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

1º e inesquecível Camping Roots - 15 a 17 de agosto de 2008

Eis aqui o evento que me motivou a criar este blog...



Sempre que acontece um evento pela primeira vez é natural que as pessoas fiquem um pouco ressabiadas, "será que vai ser bom", "tem muita gente indo"??

Quando o evento é um roots - evento de forró pé de serra realizado em dois dias ou mais incluindo camping e pessoas de diversos estados, quase obrigatoriamente -, mais dúvidas são despertadas nos forrozeiros, porque pode haver uma distância enorme envolvida, tipo Espírito Santo x São Paulo, Curitiba x Bahia, e assim segue. Imagine você viajar umas 22 horas de ônibus e chegar em um lugar onde nada compensa!!

Talvez por esses motivos anteriores, o Camping Roots (Itabirito-MG), realizado pelo Ardyson Pequeno, não tenha ficado extremamente lotado na 1ª edição, em agosto de 2008, porém foi capaz de trazer emoções inesquecíveis e de fazer inveja em qualquer forrozeiro roots.

Cohab Pé de Serra da 1ª edição do Camping Roots.
Foto: Simone Souza.
No primeiro dia, as pessoas foram chegando e montando suas barracas. Quem chegou primeiro pegou sombra... Os demais, pegaram cada lugar de forma a montar redutos de seus estados. O negócio foi se enturmar e fazer com que a "rede de vizinhos" fosse sucesso no evento.

Foram muitos shows, muitos mesmo: Os 4 Mensageiros (SP), Baião Caçula (MG), Trio Classe A (MG), Mestre Zinho (PE), Forró de Lua (MG), Meketréfe (SP), Trio Juriti (SE), Trio Dona Zefa (SP), Trio Dona Flor (SP e MG), Trio Kangalha (MG), Trio Potiguá (RN), Trio Raiz (SP) e Forró Comichão (ES); e os DJs Vinny (MG), Edu The Point (SP), Rodrigo (MG), Zinho (MG) e Fred Boi (MG). Foi o 1º evento de grande porte em Minas, o 1º roots.

Amigos, amigos... relatos sinceros à parte. Sou obrigada a contar para vocês que o Camping Roots tinha tudo para não deslanchar. Foram várias falhas na organização, inclusive problemas com sonorização e alimentação (houve um dia em que não sabíamos distinguir o que era frango e o que era purê de batatas). Muitas pessoas ficaram indignadas e não pretendiam voltar, caso houvesse uma nova edição no ano seguinte. Mas, eis que algo salva a pátria e prova que o Pequeno tem tato para a produção de eventos.

Zinho faz show de encher os olhos... de lágrimas.
Foto: Simone Souza.
Um dos shows mais esperados aconteceu na madrugada de 16 para 17/08. Todos esperavam Mestre Zinho subir ao palco e dar aquele show de sempre, com muita energia e vibração. No entanto, surgiu, amparada pelo sanfoneiro Erivaldinho, uma figura fragilizada surpreendendo a maioria do público. Alguns já sábiam que o Mestre estava passando por mais um mau bocado: um derrame facial ocorrido poucos dias antes havia paralizado o lado esquerdo do seu rosto e da sua garganta. Aproximadamente um ano atrás ele havia lutado contra um câncer de próstata e comemorado a superação do problema no festival de Itaúnas.

Eu estava com minha câmera na mão. Uma câmera nova, bem afoita por imagens para serem compartilhadas com os forrozeiros e com o mundo. Sem perder o foco, os olhos se encheram de lágrimas, olhei em volta e vi muita gente que estava assim como eu. Zinho contou um pouco do que estava passando, mas deixou claro que a doença não poderia pará-lo, que estava ali fazendo o que mais amava, cantando e recebendo o nosso carinho. Sua face estava visivelmente torta, sua fala um pouco comprometida, mas nada o impediu de fazer aquele show. Para melhorar um pouco a voz, Margot, sua esposa, criou um quebra-galho feito com um elástico preso à orelha e um clip de papel entreaberto forçando a abertura da boca; de cortar o coração em mil pedacinhos.

A primeira música foi "Cuidado Iracema"... Fiz pouco mais de 40 minutos ininterruptos de gravação, só não fiz mais porque a minha bateria acabou. Cinegrafista de primeira viagem!!!!! Recebi também a ajuda do meu amigo DJ Edu The Point que segurou a câmera sempre que as minhas mãos estavam para tremer, seja por cansaço ou por emoção.

Zinho no Camping Roots 2008.
Filmagem: Simone Souza / Edição: Tel Rodrigues.

O vídeo que eu fiz está no You Tube, dividido em quatro partes, postado pelo meu amigo Tel Rodrigues, que fez um ótimo trabalho . Eu ainda não tenho conta no site, internet em casa e nem sei como fazer para dividir um filme em mais partes.

Só sei que o que era tragédia se transformou em um dos momentos mais inesquecíveis do forró. Um show de muita emoção que só vendo os vídeos para entender. Após Zinho, o Meketréfe entrou no palco e iniciou uma homenagem maravilhosa ao Mestre, trazendo ao palco diversos artistas para cantar e levar todos ao delírio.

Zinho fala após ser homenageado no Camping Roots 2008.
Filmagem e edição: Leo "Gump" Carvalho.

Quando chegou o final do evento, muitos abraços, corações apertados, amigos novos e trocas de contatos. Um grande aperto no coração e a expectativa: "Como será no ano que vem"?!?!?

Meketréfe faz sua homenagem a Mestre Zinho. Fotos e edição: Simone Souza.


Depois de passar por um momento tão forte, foi impossível pensar em não dividir todas as minhas percepções dos forrós que tenho a oportunidade de participar. Espero que seja uma boa leitura daqui para frente e conto sempre com todos vocês!

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Só Sentimento. Hã?

O Forró Pé de Serra é um gênero musical que circula, muito bem obrigado, no circuito alternativo aos demais gêneros que povoam a cultura de massa nacional. São inúmeras pessoas, principalmente universitários, que fazem esse movimento circular e crescer - a música ganhou proporções tão grandes que hoje não podemos classificá-la mais assim, mas como um movimento que envolve várias redes de relacionamento no país.


E onde fica a história do sentimento?!


Só quem frequenta os forrós é quem sabe.

Algo muito estranho acontece com aqueles que se aventuram a ir pela primeira vez e voltar no forró. Um sentimento começa a pedir incessantemente que você vá a outro forró e cada vez mais se integre com as pessoas que lá estão.

Ninguém sabe explicar o que é o sentimento de estar ou ser pé-de-serra, então, pretendo nesse blog relatar algumas experiências para ver se um dia a gente conseguirá definir esse tal sentimento! Espero que vocês gostem das postagens!

Bijins,
Simone Souza - ou Síssa Itaúnas!